Depoimentos

Depoimento de Márcia Abos, escritora. 

O desejo de fazer um ensaio fotográfico surgiu porque quase não tenho fotos minhas dançando. Queria um registro para a posteridade. Com meu companheiro vivendo fora do país, pensei também que seria divertido, um pouco picante, presenteá-lo com alguns retratos. Mergulhei na ideia sem hesitar, graças à segurança e amparo que recebi de Marina Bitten e de Isadora Zendron em nossa primeira reunião. Confesso que às vésperas da data de fotografar, pensei em desmarcar, em postergar. O estímulo de Marina e Isa foi um sopro de esperança e fui para nossa locação na data marcada, meia hora atrasada, com duas garrafas de vinho.

Ainda não entendo totalmente a dimensão da transformação pela qual passei ao fazer essas fotos. Passei a tarde toda com Marina, Isa e Cacá Zech, profissionais incrivelmente competentes e talentosas, mas mais do que isso, mulheres maravilhosas. Estava nervosa no começo, travada. Aos poucos fui me libertando da minha maldita autocrítica e comecei a brincar, a me divertir. Foi libertador. Nunca tive uma autoestima tão boa quanto hoje. Na verdade, sofri a vida toda com a falta de amor próprio. Durante todo o processo do ensaio, acredito ter feito as pazes comigo mesma.

Como disse antes, falta muito para eu compreender o quanto mudei. Não esperava por isso. Ao contrário, acreditei fazer o ensaio era um capricho da vaidade. Em alguns momentos, até me recriminei um pouco. Hoje desejo a todas as mulheres a mesma experiência. Sempre acreditei observando outras mulheres que cada uma é bonita a sua própria e especial maneira. Hoje sei que eu também sou. E já sonho em fazer outro ensaio dançando, com novas tatuagens, noutra locação. Quem sabe?

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Depoimento de Lua Wagner, performer.

Fotografar é algo inerente a mim. Por isso ser fotografada é uma experiência emblemática, pelo poder sentir o que se passa dos dois lados da câmera, pelo registrar de um momento que não se repete mais. Quando se está em transformação constante, quando capturado por uma alma sensível à nossa. Um instante vira obra de arte nos retratos-obra-de-arte de Marina Bitten.

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Depoimento de Juliana Dacoregio, escritora.

Essas fotos tem tanto significado, representam o momento em que mais me soltei diante da lente de uma câmera, sem me preocupar com quem estaria vendo depois, o que estariam comentando… Somente eu, a câmera e Marina Bitten, num triângulo amoroso, mas de amor à verdade, amor à beleza – não à beleza plástica inventada pelos ditames da moda e da mídia, mas àquela que nos é agradável, que ora nos assusta, ora nos fascina. Um triângulo amoroso que vai bem, graças a Deus e a tudo que é do bem.

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